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Por e — Rio de Janeiro

A ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, foi encontrada morta, aos 32 anos, na última terça-feira, na casa de sua família, em Manaus. Segundo a Polícia, ela fazia parte de uma seita, criada junto à mãe e ao irmão, usava drogas alucinógenas, como a quetamina, mesma substância por trás da overdose do ator da série Friends, Matthew Perry. Ao GLOBO, o delegado Cícero Túlio, responsável pelo caso, afirmou que a morte por overdose é a principal hipótese da investigação.

O que aponta laudo preliminar da morte de Djidja Cardoso?

Segundo a Rede Amazônica, o laudo preliminar aponta que a morte da Djidja Cardoso foi provocado por "depressão dos centros cardiorrespiratórios centrais bulbares; congestão e edema cerebral de causa indeterminada".

— O laudo preliminar aponta morte por depressão respiratória, que é justamente um dos efeitos da droga — disse o delegado, que cita ainda a semelhança com o diagnóstico descrito no laudo do ator de Friends, Matthew Perry, que morreu pelo uso da quetamina.

O edema cerebral teria afetado a porção do cérebro de Djidja Cardoso que controla o coração e a respiração e causado a chamada "depressão respiratória". O laudo, no entanto, não explica o que teria provocado essa condição na ex-sinhazinha. No caso do ator americano Matthew Perry, "efeitos agudos da quetamina" foram apontados pelo Departamento Médico Legista do condado de Los Angeles como causa da morte. A quantidade da droga no corpo poderia ter provocado também um quadro de depressão respiratória, segundo a análise feita pelos médicos, que contribuiu para a morte.

Uso excessivo de drogas pode ter sido a causa da morte de Djidja Cardoso

De acordo com o delegado, o uso excessivo de drogas pode ter sido a causa e é a principal suspeita da linha investigativa.

— A morte tem peculiaridades, principalmente pela possibilidade de uso de fármacos psicotrópicos. Há a possibilidade de ter havido um abuso que levou ao óbito dela (...) Não trabalhamos ainda com a hipótese de homicídio. Para que eu possa dizer que teve uma morte violenta e um homicídio, preciso de elementos de autoria. É o que estamos levantando — explica o delegado Daniel Antony, da Delegacia de Homicídios.

O que é a quetamina?

A cetamina ou quetamina é um poderoso anestésico utilizado há mais de 50 anos. A substância também é utilizada como droga recreativa ilícita por seu efeito psicodélicos. Drogas psicodélicas são aquelas que alteram drasticamente alguns neurotransmissores no cérebro para criar uma mudança profunda na percepção, humor e ansiedade.

Estudos em animais mostraram que a cetamina aumentou os níveis de certas substâncias químicas cerebrais, como a dopamina, em até 400%. Isso deu origem a investigações sobre o potencial terapêutico da droga contra doenças mentais, como depressão resistente e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Além da injetável, existem outras formas de administrar a droga, incluindo uma versão em spray nasal, chamada escetamina, que já é aprovada para o tratamento de depressão resistente.

Djidja já era investigada

Alvo de investigação, Djidja Cardoso acreditava ser Maria Madalena e fazia parte de seita, diz polícia — Foto: Reprodução
Alvo de investigação, Djidja Cardoso acreditava ser Maria Madalena e fazia parte de seita, diz polícia — Foto: Reprodução

As investigações tiveram início há cerca de 40 dias, e a droga era obtida de forma irregular em uma clínica veterinária. Vítimas relataram aos policiais terem sido dopadas e mantidas em cárcere privado. A morte de Djidja foi o estopim para o início das operações contra a organização, segundo disse o delegado Cícero Túlio, durante uma coletiva de imprensa, nesta sexta-feira.

A amazonense se apresentou pelo Boi Garantido entre os anos de 2015 e 2020, no Festival de Parintins. Após se aposentar das apresentações, passou a trabalhar à frente de uma rede de salões de beleza ao lado da mãe e do irmão no Amazonas.

Seita "Pai, Mãe, Vida"

Batizada de "Pai, Mãe, Vida", a seita teria sido criada pela mãe de Djidja, Cleusimar, e o irmão, Ademar, segundo a Polícia Civil. De acordo com as autoridades, os três acreditavam ser, respectivamente, Maria Madalena, Maria e Jesus Cristo.

— Eles utilizavam (a droga) para entrar nessa espécie de transe, para, segundo eles mesmos relataram, transcenderem para outra dimensão — explica o delegado Cícero Túlio. — Diversas pessoas já foram ouvidas no decurso da investigação. Duas pessoas relataram fatos criminosos que levam a crer na possibilidade prática de estupro de vulnerável. Inclusive, com a possibilidade de ter acontecido um aborto com uma dessas garotas.

Em coletiva de imprensa neste domingo, as advogadas de Ademar e Cleusimar Cardoso negaram que a família tenha formado uma seita ou praticado rituais com o uso de drogas. Segundo elas, os envolvidos se tornaram viciados em drogas ao longo dos últimos meses.

— A familia Cardoso, especificamente Djidja, Cleusimar e Ademar, de fato, infelizmente, perdeu o controle. Eles se tornaram dependentes químicos — disse a advogada Lidiane Roque, durante a entrevista feita na porta de uma unidade do Salão Belle Femme, em Manaus, na manhã deste domingo.

— A decisão de começar a usar drogas é individual. Todas as pessoas envolvidas são adultas, isso é muito importante. Por que dizemos que não existe seita, não existe ritual macabro: porque todos as declarações deles, os vídeos que circulam na internet, todos esses elementos de prova, são fruto de alucinações extremamente severas de uma droga que está destruindo famílias — completou ainda a advogada Nauzila Campos.

Família presa por tráfico de drogas

Djidja Cardoso, Cleusimar e Ademar — Foto: Reprodução/Redes sociais
Djidja Cardoso, Cleusimar e Ademar — Foto: Reprodução/Redes sociais

A mãe e o filho foram presos na última quinta-feira, por conta de um mandado de prisão preventiva por tráfico de drogas e envolvimento com o tráfico. Ademar também foi alvo de um mandado pelo crime de estupro. Os mandados de prisão também foram expedidos contra três funcionários da rede de salões Belle Femme.

A audiência de custódia, realizada nesta sexta-feira, comprovou a legalidade da prisão preventiva de Cleusimar e Ademar. De acordo com seu advogado, Vilson Benayon, a mãe e o irmão da ex-sinhazinha não foram ouvidos, já que não estavam em condições de dar depoimento no momento da prisão, muito alterados pelo uso de drogas. Segundo ele, grande parte do faturamento dos salões era direcionado para alimentar o vício.

Segundo o delegado, ao longo das operações nas unidades da rede de salões, foram encontrados centenas de seringas, algumas prontas para serem usadas, além de doses da droga.

— Pedimos o toxicológico e a internação compulsória dos dois em uma clínica de reabilitação. Eles foram atendidos na enfermaria do complexo prisional em crise de abstinência. Ontem estavam de um jeito, hoje estão de outro. O que eles têm é uma patologia, a prisão os salvou da morte — afirmou o advogado, ao GLOBO.

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