Alto Desempenho e os Pontos Fortes

Alto Desempenho e os Pontos Fortes

O Instituto Gallup, nos anos 2008, publicou o livro "Descubra seu ponto forte". Baseado em mais de 2 milhões de dados de entrevistas com pessoas de destaque, em todas as áreas do conhecimento, trazendo uma revolução no campo do aprendizado e motivação. A revolução do ponto forte. Demonstrando que para ser bom no que se faz é preciso amar, gostar, se motivar pelo fazer. Ninguém obtem alta performance fortalecendo ponto fraco, corrigindo gap! Todas as pessoas que se destacam positivamente, amam o que fazem e usam seus talentos e pontos fortes. A felicidade, leia-se, bem estar, sentimentos positivos, entusiasmo, entre outros "sinônimos" , vem sempre em primeiro lugar antes do desempenho.

No entanto, nosso sistema educacional - e isto inclui a educação corporativa, está totalmente calcada na correção de ponto fraco. Inscrevemos os colaboradores em cursos para melhorar suas competências menos desenvolvidas; fazemos planos de desenvolvimento para suprir as mesmas competências - as frágeis. Idem para o sistema de recuperação escolar. A motivação, as habilidades de aprendizagem, memorização, evocação da memória e aplicação em situações correlatas estão sempre mais atuantes e potencializadas quando usamos talentos e pontos fortes do que quando usamos áreas onde não temos conexões neuronais mais ativas. Portanto, gastamos mais dinheiro, tempo e esforço treinando ponto fraco e com bem menos progressos do que potencializando pontos fortes. Arrisco dizer que com 1/3 dos investimentos em correção de pontos fracos poderiamos multiplicar significativamente as competências que já temos fortalecida e com isso fazermos coisas incríveis com mais entusiasmo e resultados positivos.

Então, você está me dizendo que a síndrome da gabriela deve prevalecer? "eu nasci assim", não vale a pena aprender... Claro que não! Muitas vezes não aprendemos não por falta de talentos e pontos fortes, mas porque não fomos devidamente motivados. A maior parte das vezes o problema está mais no método ou na relação entre aprendiz e facilitador do que propriamente no conteúdo. Mas que devemos investir mais em mapear e entender nossos talentos e pontos fortes e como utiliza-los, potencializa-los, construindo propósito e engajamento do que apenas aprendendo habilidades sem sentido. De que adianta conhecimento sem reconhecimento, sem motivação, sem autonomia para uso? É isso o que vejo nas escolas e na educação corporativa. Treinamentos e aulas incríveis, motivacionais, cheias de aplicabilidade e interação social, mas ao retornar para a "vida comum", o aluno ou colaborador se depara com aquela cultura organizacional arcaica e com líderes que estão mais para chefes burocratas do que para criadores de visão e propósito.

O que o livro citado me ensinou então? Potencialize seus pontos fortes. Descubra meios de usar seus talentos. Dedique-se a aprimorar suas competências motivacionais e corrija seus gap's até o ponto em que você não danifique sua carreira ou seu time. A isso eles denominam "controle de dano". Não queira ser o melhor em tudo. Não dá. Seja excelente no que você ama e mdiano para bom no que você é fraco. Compartilhe tanto quanto puder seus conhecimentos. Use-os nos mais diversos contextos. Quanto mais você usa seus talentos mais incríveis eles ficam. Alguns desavisados chama a isso de "sorte". Quando me veem dando uma aula incrível, me dizem que eu sou sortuda e que tenho um dom. Mas poucos veem que eu faço isso há 25 anos sempre com dedicação. Tenho mais livros, muito mais livros do batons ou esmaltes (nada contra estes acessórios). Tenho 4 pós graduações e 1 mestrado. Quanta sorte! E, por fim, não espere pelas circunstâncias. Faça acontecer. Se estiver em uma empresa bacana, com um chefe e uma equipe incríveis, seja grato e aproveite, mas não espere por isso para ser sua melhor versão. Faça o melhor que puder, aonde estiver, com o que dispuser. Esta é a diferença entre os que fazem acontecer; os que gostariam que alguma coisa acontecesse e os que esperam que algo aconteça. Ah, por último, mas não menos relevante: Seja humilde e grato. Você não sabe nada da vida. Há uma lei cósmica regulando tudo na mais perfeita ordem e você é parte deste todo. Então navegue com a maré. Se o que você quer muito não aconteceu, observe o que está acontecendo e ajuste-se. Teimar e reclamar só faz roubar sua energia e te tornar uma pessoa chata. Fica a dica!


Muito bom! Apesar de óbvio, o feedback sempre é acompanhado de uma avalanche de pontos a melhorar, sempre relacionados ao GAP que temos, dando eterna sensação de que não estamos agradando.... este é um ponto em que definitivamente precisa mudar. Outro ponto bem observado; em avaliação de orquestras sinfônicas, músicos com mais de 10000 horas de treino eram extraordinários, músicos com 5 000 horas eram considerados bons, e abaixo disso, medianos.... nada relacionado com sorte, mas com treino, experiência e prática... Não nascemos sabendo mas vivemos procurando uma alternativa para encurtar o aprendizado...

Só tenho elogios ao texto e ao aprendizado que nos trás.

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