Despertar.
Um dos primeiros programas que implantei em uma empresa, ainda quando era trainee, foi o Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência. Naquela época, há mais de 10 anos, ninguém argumentava muito sobre a importância da diversidade nas organizações quando se abordava o tema. Estávamos focados no preenchimento de cotas e em entregar um bom programa de inclusão para a comunidade. Embora tenha sido um desafio importante para a minha carreira e eu tenha conseguido impactar a vida de algumas pessoas incríveis, eu fui a pessoa que saiu mais impactada dessa experiência.
A verdade é que lá no fundo eu entrava em pânico só de pensar que alguém pudesse descobrir minhas próprias limitações. Com alguns anos de terapia, um pouco mais de maturidade e depois de uma dúzia de processos de autoconhecimento, consigo me sentir mais confortável para falar sobre esse assunto e inclusive escrever sobre isso.
Tudo aconteceu quando eu tinha 08 anos e estava escovando meu cabelo de frente para o espelho do meu quarto. De repente, minha visão começou a ficar embaçada e eu não entendia muito bem o que estava acontecendo. Podia ser estresse, cansaço ou “coisa de criança”. Eu dormi naquela noite e, quando acordei, reparei que tinha perdido um parte da visão do olho esquerdo. Daquele dia em diante passei por uma série de especialistas, fiz diversos exames, mas ninguém soube explicar muito bem o que tinha acontecido comigo. O diagnóstico era atrofia no nervo ótico e não havia nada que pudesse ser feito na época.
Resumindo muito esse pedaço da minha vida, o ponto é que, de lá para cá, eu faço acompanhamentos frequentes no oftalmologista, exames semestrais de retina, volta e meia algum procedimento para garantir que vai ficar tudo bem, mas meu maior medo da vida sempre foi o de dormir. Isso mesmo. De dormir, e acordar, e então não enxergar mais.
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E por isso entendo a urgência de despertarmos para a importância da inclusão <real> das pessoas com deficiência nas nossas vidas, nas empresas, na sociedade. É incrível como achamos que não é problema nosso, ou que é um assunto tão distante da nossa própria rotina, até acontecer com alguém da nossa família, um amigo, alguém que conhecemos, ou com nós mesmos - e então o assunto vira algo urgente.
Promover mudanças no mundo por meio das organizações é o que me move hoje, mas sei que o caminho para a genuína inclusão de pessoas com deficiência ainda é longo e desafiador. No Brasil, cerca de 45 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência. Isso representa quase 25% da população, segundo o IBGE. Entre as deficiências declaradas, a mais comum foi a visual, atingindo 3,5% dos brasileiros.
Não consigo não pensar sobre como seria minha vida se eu perdesse totalmente a visão. Eu poderia ler tudo o que leio hoje? Poderia estudar na mesma intensidade como faço hoje? E o que aconteceria com a minha carreira? E com as minhas atividades diárias?
Eu sei que tudo isso é possível, mas porque comecei a encarar de frente esse medo, a me aceitar do jeito que sou e a não esconder de mim mesma o que sentia. Foi então que comecei a me informar mais, conversar com profissionais cegos, apoiar organizações para esse público, conhecer programas corporativos com esse foco. E foi aí que eu entendi que tudo isso sim é possível. E foi só quando eu realmente despertei para essa causa que comecei a não ter mais medo de dormir.
Executive & Head of Corporate Security | Risk | Loss Prevention | Crisis Management | Investigation & Compliance | Security Executive IFSEC Global influencers in Security 2022
3 a👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽
Coordenadora de Comunicação para Yara Industrial Solutions
3 aQue lindo depoimento Paty! Toda minha admiração por ti! 😘
Independent Director/ Sustainability Strategy & Innovation/ People&Culture / Climate Governance Iniciative (WEF) Ambassador.
3 aQue lindo depoimento Patrícia. E hoje você com essa grande força , liderando tantas transformações. Que siga assim, sempre!
CEO da Estação Liderança, Mentor, Escritor e Palestrante Internacional
3 aEspetacular! Que artigo sensível, lindo e impactante, Parabéns Patricia Santos Pereira
Comunicação, Ética e Compliance I RP I RIG I Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos
3 aQue lindo depoimento, Patricia Santos Pereira. Sua sensibilidade é inspiradora, dose de incentivo para gatilhos de mudança!