Black Friday no Brasil: Oportunismo, Internacionalização ou Falta de Criatividade?
Essa coisa de Black Friday no Brasil me lembra um caso bizarro acontecido há muitos anos com meu falecido tio Osvaldo, irmão mais novo do meu Pai. Durante uma prova de matemática, o cara estava tão perdido e desatento que além de "colar" as respostas, "colou" até o nome do colega de classe. Assim é o Brasil com o Black Friday. Como se não bastasse, o varejo também anuncia o Cyber Monday...outra aberração importada diretamente dos Estados Unidos, sem pagamento de impostos ou royalties.
No meu dia a dia já sou bastante cético com relação a promoções, principalmente aquelas criadas e anunciadas pelas concessionárias de serviços públicos. Quem acredita no que eles anunciam e prometem?
Sinceramente não perco meu tempo entrando em filas e pesquisando onde estão as melhores e mais promissoras ofertas. Além de preços, varejo tem outros componentes igualmente importantes: conveniência, serviço, confiança e credibilidade, aos quais dou muito valor.
Determinadas coisas têm preço, outras têm valor.
Acho incrível que o varejo tenha optado a viver de datas promocionais, o dia a dia foi totalmente esquecido, como se datas e promoções isoladas fossem resolver todos os males e fazer todo o resultado do ano, ainda que não tenha nenhuma sinergia com os valores da marca.
Eu acredito no cliente do dia a dia e não no consumidor eventual.
É obvio que o calendário promocional faz parte e é muito importante para o varejo, porém num país onde o consumidor tem sido educado de como, onde e quando comprar...Todos têm deixado de comprar no dia a dia, aguardado pelas promoções, porque sabemos que em alguns dias ou semanas aquela camisa vai estar pela metade do preço. Via de regra, tirando feijão, arroz e medicamentos, não há nada que não possamos aguardar...Um sapato, uma camisa ou acessório novo, será apenas mais uma peça no "closet" já abarrotado de coisas.
Para mim, Black Friday e Cyber Monday no Brasil, é como um desfile de escolas da samba na Escandinávia, em pleno mês de Dezembro, com passistas Húngaros. Tudo fake, forçado, sem originalidade e credibilidade.
Minha maior surpresa é com relação aos grandes Criativos e Marketeiros que há algum tempo, na sua maioria, se limitam a desenvolver campanhas engraçadinhas com crianças, cachorros bem treinados, gatos fofinhos e sub-celebridades...Tudo fake, sem originalidade e credibilidade. Tenho saudades das idéias geniais, das campanhas extremamente criativas que tínhamos prazer em assistir, assim como dos jingles que marcaram época.
"Quero ver você não chorar nem olhar pra trás nem se arrepender do que faz" ...
"Estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul, mensagem de amor e paz, nasceu Jesus, chegou o natal. Papai Noel voando a jato pelo céu trazendo um natal de felicidade e um ano novo cheio de prosperidade".
Hoje em dia, aos Domingos ouvimos "É o avião do Faustão da P&G, uma casa cheia de prêmios, um carro, 100 mil reais, cadastrando qualquer marca P&G". Absolutamente medíocre se pensarmos no que somos capazes de criar e fazer, mas pagando bem, que mal tem?!?
Para mim, isso é mais ou menos como o Jogador de Futebol que ganha uma fortuna jogando mal. Pra que se esforçar se já está ganhando muito dinheiro fazendo porcaria?
Tenho medo de estarmos "emburrecendo" e nos nivelando por baixo.
É claro que os grandes nomes da Publicidade e Marketing vão dizer que estou errado, que isso é globalização e é preciso para estarmos alinhados com o calendário internacional...No meu entender isso demonstra claramente a diferença entre oportunidade e oportunismo.
O varejo, com honrosas exceções, tem se comportado como o "Gerson", o Jogador de Futebol genial que foi imortalizado por querer levar vantagem em tudo, certo?!?