Blocos de carnaval plantam árvores no Parque Lage para neutralizar emissões de carbono durante a folia

Além de ceder o espaço, espaço contribuiu com integrantes do programa de voluntariado e com mão de obra especializada para o plantio

Por — Rio de Janeiro


Foliões dos nove blocos da Liga Amigos do Zé Pereira plantaram cem mudas no Parque Lage para compensar o carbono que emitiram no carnaval Fabiano Rocha/Agência O Globo

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GERADO EM: 19/06/2024 - 10:09

Plantio de árvores para carbono zero no Carnaval da Liga Amigos do Zé Pereira

Blocos de carnaval da Liga Amigos do Zé Pereira plantam árvores no Parque Lage para neutralizar emissões de carbono. Ação visa compensar CO2 gerado nos desfiles e promover um carnaval sustentável, com plantio de mudas nativas da Mata Atlântica.

No colorido universo do carnaval, os nove blocos que compõem a Liga Amigos do Zé Pereira abraçaram o verde. Representantes dos cortejos se reuniram no sábado para cumprirem a promessa de compensar as emissões de carbono (CO2) geradas em seus desfiles neste ano. Trios elétricos, caminhões de apoio e da equipe são fundamentais na hora de arrastar multidões pelas ruas com alegria, mas também contribuem com a produção de CO2, a partir da queima de combustíveis fósseis. Para colaborar com um ar mais puro, a compensação de carbono começou às 10h, com o plantio de cerca de cem mudas nativas da Mata Atlântica no Parque Lage, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, parceiro da ação junto ao ICM/Bio e ao Parque Nacional da Tijuca.

A medição da emissão pelos blocos que formam a Liga Amigos do Zé Pereira foi feita em parceria com a startup Eccaplan. No total, foram calculadas pouco mais de seis toneladas de CO2. A quantidade varia de acordo com a estrutura da agremiação: o centenário Bola Preta, que leva cerca de um milhão de foliões ao Centro do Rio, consome mais do que seus parceiros de folia.

Também integram a Liga os blocos Orquestra Voadora, Laranjada, Quizomba, Céu na Terra, A Rocha da Gávea, Último Gole, Toca Rauuul! e Vagalume, o Verde — este, à frente da ação. A iniciativa de promover um carnaval sustentável vem fincando raízes, com cada vez mais ações para minimizar o impacto da festa, como explica o presidente da Liga e produtor do Cordão da Bola Preta, Rodrigo Rezende:

— Queremos repetir esse processo anualmente. A ação concreta é muito importante. Mas para nós o principal é a divulgação desse sentimento que deveria ser cada vez mais comum no carnaval.

O bloco Vagalume, o Verde compensa desde 2005 o carbono emitido por caminhões de som, geradores e músicos, o que já levou ao plantio de mais de cinco mil mudas desde então. A adesão de todos os membros da Liga Amigos do Zé Pereira deve ajudar a atrair mais parceiros para as atividades. Hugo Camarate, fundador, diretor-presidente e produtor cultural do Vagalume, o Verde, espera contar com a participação de outros blocos e ligas.

— Acreditamos que essa ação pode ser um divisor de águas. Queremos ampliá-la em um processo de educação ambiental. Nossa intenção é também produzir essas mudas, com o ICM/Bio, o Parque Lage e o Parque Nacional da Tijuca. A ideia é que a gente possa ampliar com outras ligas e blocos independentes, além dos foliões — diz.

Mudas de árvores nativas da Mata Atlântica foram plantadas no Parque Lage para compensação de emissão de carbono em desfiles dos blocos da Liga Amigos do Zé Pereira — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Parceria firmada com o Parque Lage

A medição de CO2 durante os desfiles não contabilizou o que foi produzido pelos foliões, no deslocamento de chegada e partida de quem frequenta os blocos, por exemplo. A proposta é, futuramente, fazer essa conta. Para isso, o Vagalume contou com um projeto-piloto em que, por meio de um QR Code, as pessoas responderam a um breve questionário e descobriram o quanto tinham poluído. Para a medição, eram incluídos o tipo de transporte e a distância percorrida.

— Fizemos esse projeto-piloto para trazer a proposta com mais afinco no ano que vem, incluindo a participação dos foliões — diz Hugo.

Além de ceder o espaço, o Parque Lage contribuiu com integrantes do programa de voluntariado, com mão de obra especializada, para o plantio. As mudas são das espécies ingá-bravo, sabão-de-soldado, pau-ferro, ipê-verde, grumixama, cambucá, bacupari-mirim, acumã e eugenia tomentosa. Representantes dos blocos da Liga compareceram para embalar a ação com repertório de carnaval e animar o público, convidado a participar. O selo Evento Neutro e o Certificado de Neutralização de Carbono foram entregues aos grupos após o plantio.

Outro projeto-piloto foi a coleta dos resíduos orgânicos durante os desfiles do Vagalume e do Toca Rauuul. A proposta, segundo Rodrigo Rezende, é ampliar a ação para outros blocos da Liga.

Foliões dos nove blocos da Liga Amigos do Zé Pereira plantaram cem mudas no Parque Lage para compensar o carbono que emitiram no carnaval — Foto: Fabiano Rocha
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